Jesus Cristo – Amigo de pecadores e ladrões?

Publicado: 05/03/2009 em Alfinetadas, Religião e afins
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“Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo de cobradores de impostos e pecadores. Mas a sabedoria e justificada por suas ações.” – Mt. 11:19

Atualmente, muitos tem distorcido a interpretação do versículo acima dizendo que Jesus Cristo não era só amigo das “prostitutas e demais pecadores”. Tenho ouvido isso de muitos pregadores e alguns que tentam, à sua maneira, propagar o Evangelho da Salvação. E não devem faltar línguas que dizem que Ele foi tão perverso quanto o povo de sua época. Lógicamente que os pregadores, evangelistas e missionários não dizem o que afirmei no primeiro parágrafo, mas muitos por aí afora dizem, e cheios de orgulho, fazendo de Nosso Salvador um deusinho qualquer.
Digamos em tese que o Mestre foi, e depois de sua morte e ressurreição, ainda é amigo dos tais. Mas com uma característica sutil: ele não compactuava com o erro ou o defeito do ser-humano nestas condições e tampouco o faz nos dias de hoje.
Podemos com toda a certeza, dizer que Cristo usou a tática que o rei Davi utilizou séculos antes: fazer-se de bobo (ou insensato) para ganhar o povo com quem convivia. Mas como Ele não é insensato, Ele próprio se justifica no versículo bíblico do início do post.
Embora frequentasse a casa de festeiros, cobradores de impostos (os ladrões da época) e vez ou outra encontrasse prostitutas, adúlteros e outros pecadores mais pelo caminho, Jesus Cristo, com toda a sabedoria não se deixou levar pelo mesmo espírito que ronda a Terra; pois veio do Pai celeste, que é Santo e Nele não há pecado. E raciocinando logicamente, o Filho de Deus também não é pecador. O mesmo Deus certamente Lhe dava sabedoria para sair pela tangente nos momentos mais difíceis como as investidas das mulheres perversas ou a glutonaria presente nas mesas. Não obstante isso, ainda deixava alguma mensagem de conforto ou repreensão caso fosse necessário, para que os errantes viessem a enxergar o que cometiam e se convertessem de seu mau caminho, motivo esse que ao ser julgado perante Herodes, antes de sua crucifixão, não foram encontradas evidências que O condenassem.
Hoje, pensar que “aceitar” a Cristo e continuar a praticar o mal que efetuávamos antes, pensando que não seremos repreendidos é o mesmo que plantar uma árvore em um terreno pavimentado ou cheio de pedras, como foi pregado certa vez. Nossa fé — e consequente salvação — morrerá do mesmo modo que a árvore plantada em tal terreno.
Portanto, se reconheces ou vieres a reconhecer que Jesus Cristo é seu único Senhor e Salvador, não há problema algum em seres amigo de “glutões e demais pecadores”, frequentar suas casas, participar de suas festas e cumprimentá-los à vista de seus irmãos na Fé. O que não deves fazer é seguir o mesmo caminho que eles, pois somos todos pecadores e fomos resgatados da perdição eterna através de muito sofrimento e sangue de nosso Mestre.
Aos já convertidos: Sejamos tolerantes com os pecadores, mas não com o pecado. Parafraseando o apóstolo João: “Não digo isto como novo mandamento”, pois não tenho autoridade para tanto. Basta usar o bom-senso. Se você tiver oportunidade de convencer racional e biblicamente o erro que seu semelhante pratica, não perca tempo. Com sabedoria, respeito e carinho, ensine-o através da exortação bíblica. A pessoa certamente entenderá, poderá abandonar seus vícios, desfazer-se da prática de seus males e assim, como disse o apóstolo Paulo, aos romanos: “Fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre sua cabeça.” – Rm 12:20.

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comentários
  1. […] Jesus amava a todos, mas nunca deixou de criticá-los e exortá-los ao arrependimento por isso. São as mesmas pessoas que Jesus defendia contra os fariseus. […]

  2. Café gelado e com pimenta (risos)

    • ZehRique disse:

      Charles, um cafézinho com um “sabor especial” para começar o ano, já que não escrevo há “décadas”. hehehe

      E olhe que ainda tem gente por aí que ainda pensa que o cristão ainda é bobo, facilmente manipulável. Já passamos da hora de amadurecermos, concorda?

  3. Cristão é tímido, estava lendo um texto sobre apologética no monergismo, é bem o que acontece, insegurança etc…

    O cristão é algo engraçado, eu mesmo acho ridículo a minha insistência orar para mim mesmo algumas vezes sendo que estou com o Senhor do Universo na minha frente, alguém que possui uma sabedoria Infinita.

    Falta expandir consciências, falta ver que se Deus não fez algo para alguém em pior condição que você, tem de ver que não é do interesse dele produzir bem-estar.

    É.. estou com vontade de falar hahah, mas seu texto me inspirou a fazer o meu último post.

  4. Andre Gondim disse:

    Excelente reflexão!!

    Abraços!! 😉

  5. Arthur disse:

    “eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”

    Falta oração e jejum na vida dos cristãos. Jejum era uma prática natural na vida dos cristãos, era como escovar os dentes hoje em dia. Se Jesus fosse nos aconselhar no escovar os dentes, ele não diria que deveríamos escovar os dentes, ele diria que quando fossemos escovar… Assim ele escreveu que quando fossemos jejuar… porque ele sabia que quem estava lendo era uma pessoa que comunmente jejuava. Mas hoje em dia afogamos esse costume. Deus quer dar vida em abundancia para os que conhecem a sua face, mas para conhecer precisamos jejuar. Sem jejum paramos com o nosso crescimento espiritual, porque nos dias de hoje a iniquidade é tão grande que o nosso amor as vezes se esfria.

  6. Amigo, ZehRique.

    O cristão deve buscar pregar a Palavra de Deus a todos. Nunca se assentando na “roda dos escarnecedores”. Assentar-se na roda dos escarnecedores significa se ajuntar com tais pessoas e compactuar de seus pecados. Cristo não compactuou com os pecados, antes fez a obra do Pai.

    Se o cristão conversa com ímpios pregando a palavra de Deus, não tem problema algum, pelo contrário, é muito salutar; mas se o cristão se ajunta com descrentes para compartilhar dos pecados, ele deve parar com isso.

    Frequentar festas mundanas e ter o hábito de assim fazer é complicado, porque na imensa maioria das vezes a pessoa vai compartilhar com o mundo. Se ela for à uma festa pregar a palavra de Deus, resignada a não compactuar com o mundo, guiada por Deus, aí eu creio que é bom. Mas eu penso que então certas coisas podem acontecer, como:

    1) A festa terminar
    2) A pessoa ser expulsa ou convidada para sair da festa

    Amigo.

    um grande abraço, em Cristo Jesus.

  7. Caro ZehRique, gosto de assuntos sobre religião, também estou criando um blog com o objetivo de incentivar a leitura da bíblia.
    Ajude-me a divulgá-lo.
    bereiano.wordpress.com

  8. O problema é que ninguém quer se engajar no mundo dos marginais. A maioria dos cristãos só dá valor ao “Jesus não pecava”, mas nem ligam para o “Jesus andava com os marginais e pecadores.” Eu mesmo defendo Jesus quando as pessoas dizem que ele era um homem que errava como qualquer outro. Mas não sei o que dizer quando dizem que ele andava com as piores pessoas. Pois eu não peco e nisso sigo a Jesus, mas não ando com os pecadores e nisso estou lnoge de Jesus. Estava lendo um texto do Paulo Brabo onde ele diz que não seguimos a Jesus quando marginalizamos qualquer subgrupo social considerado inferior ao nosso. Nós seguimos João Batista que se escanteava no deserto, provavelmente com medo de se corromper. Jesus pregava o Evangelho? Sim! Mas também era amigo e ser amigo era o próprio Evangelho, pois era palavra viva e praticada na hora. João pregava o Evangelho? Sim! Mas não era amigo e não ser amigo o afastou de Jesus. E porque será que não andava com Jesus? Jesus tinha um nome sujo demais para João, apesar de sua sabedoria ser justificada pelas suas obras. Em semelhança de João, ainda carrego comigo aquela sídrome do bom menino que não anda com pessoas que são mal vistos pela sociedade. Confesso, estou longe de Jesus, nessa parte.

    Nós queremos pregar o Evangelho ao mundo, mas não queremos nos aproximar deles. Não queremos ouvir seus gritos, seus desejos, vontades, falar de sua música, de seu time de futebol, de seus pratos prediletos e nem nos assentamos ao lado deles. Um dia eu quero me assentar com pecadores e ser amigo deles e, por consequência disso, pregar o Evangelho com minha vida e não como um discurso distante. Orem por mim para que eu consiga ser amigo como uma pomba e astuto e vigilante como uma cobra!

    Parabéns pela postagem, Zeh. Ela me foi uma luz. Não acredito que eu não tinha comentado esse belo texto antes.

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